Ritalina ? o que é, como usar, benefícios, efeitos colaterais

A Ritalina – cujo princípio ativo é o composto metilfenidato – é um estimulante indicado para o tratamento do Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH). Provavelmente, é mais conhecida pelo seu uso indevido – entre concurseiros, vestibulando e afins. Consagrou-se no popular como “droga da inteligência” – embora, aos olhos da ciência, esse título seja duvidoso. Para além dos muros do cursinho e universidade, observa-se uma crescente no seu uso entre atletas amadores e profissionais.
Euforia. Percepção de otimização em alguns aspectos do desempenho físico. Melhora da concentração. São esses três fatores que, pontua um artigo, fazem com que o metilfenidato seja tão atraente aos olhos dos praticantes de atividade física que buscam maior performance. E, não à toa, essa substância é estritamente regulada pelo Comitê Olímpico Internacional.
Mas há ganho real em desempenho físico? Ou somente o sentimento de performance aumentada devido aos efeitos psicológicos da droga? A pesquisa sobre a relação entre exercício físico e metilfenidato é interessante e também nos ensina  algumas lições. Como sempre, os dados que eu apresentarei não tem intuito de incentivar o uso de um medicamento controlado sem prescrição – mas, sim, de compartilhar e debater ciência.

O cientista de esportes Tim Noakes deu 10 mg de metilfenidato a 16 ciclistas de elite. Minutos depois, ele e seus colegas pediram que os atletas pedalassem numa bicicleta estacionária, em alta intensidade, pelo máximo de tempo possível. Em outra ocasião, os atletas passaram pelo mesmo teste – mas dessa vez receberam placebo.

A diferença foi gritante. Quando usaram o metilfenidato, os atletas pedalaram com muito mais intensidade – 19% mais potência. E por mais tempo: a duração foi 32% maior do que quando usaram placebo.
O metilfenidato também fez com que o coração dos atletas batesse mais rápido. Sob os efeitos da Ritalina, seus pulmões se expandiam mais e os níveis de ácido lático (indicativo do esforço muscular) aumentaram significativamente.
Só que o pulo do gato é que, mesmo sob maior estresse cardiopulmonar e metabólico, eles diziam sentir o mesmo nível de fadiga do que quando usaram o placebo.
Os atletas estavam pegando mais pesado – a ponto de ter 43% mais ácido lático no sangue com o metilfenidato. Mas eles não se sentiam mais exaustos. A percepção de cansaço estava diminuída – e isso permitia melhor desempenho físico. O que faz sentido. O metilfenidato não afeta, diretamente, os músculos, nem os pulmões. Afeta primariamente o cérebro.
Por que o (metilfenidato) – um psicotrópico – melhoraria o desempenho físico? Provável que você já leu aquela visão tradicional: os músculso falham quando não conseguem mais gerar energia (ATP), por uma oferta insuficiente de oxigênio. Produzimos ácido lático – mudanças metabólicas e iônicas ocorrem – e o músculo, então, não tem outra opção, senão a falha.
Para Noakes, o cara que fez essa pesquisa sobre o metilfenidato, falha muscular é coisa da sua cabeça. Literalmente. Segundo eles, nossos músculos tem mais a dar, mesmo após aquela última dolorosa repetição no supino ou aquele penoso último quilômetro da corrida. Nosso desempenho é submáximo.
Você conta com uma reserva de ATP muscular que seu cérebro, subconscientemente, “escolhe” não utilizar. Assim como você prefere não usar a grana do cheque especial, mesmo que ela esteja lá. O metilfenidato permitiria que os atletas explorassem parte desse volume morto.
Mas isso é uma coisa boa? Cheque especial certamente não.
E tem um motivo para essa reserva existir – em vez de simplesmente tacarmos o louco e usarmos toda a força que temos sempre. Para Noakes,  o cérebro fabrica esses limites para impedir que alguma ‘catástrofe’ biológica aconteça – protegendo, por exemplo, a integridade muscular e das articulações.
Quem julga a hora de acessar essa reserva de emergência é o seu subconsciente. Malhar no conforto da sua academia, com ar condicionado e tudo, não é uma dessas ocasiões.
Mas pense em: soldados correndo com uma perna quebrada  em pleno campo de batalha ou caçadores lutando contra animais com o triplo do seu tamanho. O medo, a raiva e o instinto de sobrevivência removem as barreiras. Preservar a integridade muscular não é mais prioritário nesses cenários.
O metilfenidato  suavizaria a coleira que o cérebro coloca na atividade muscular e permitiria que os atletas trabalhassem mais próximos dos seus reais limites cardiopulmonar e metabólicos. Obviamente, a tal ‘reserva’ tem a função de proteger nossos músculos e nosso corpo. Como veremos a frente, o acesso a ela impõe riscos à saúde.
Noakes não está sozinho. Recentemente, pesquisadores documentaram que adultos que usaram 20 mg de metilfenidato conseguiram gerar, em média, 5.4% mais força num teste de força (preensão) manual. Eles comprovaram que a droga alterou, durante e após o teste, a comunicação de algumas partes primitivas do cérebro (como a ínsula) com o córtex motor manual. É justamente a parte que governa a atividade muscular das mãos [3, 4]. Isso fortalece a teoria da ‘reserva’ de Noakes.
Ritalina ? o que é, como usar, benefícios, efeitos colaterais 1
Ritalina produzida pela Novartis
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Ritalina produzida pela Novartis

Tome Ritalina® uma ou duas vezes ao dia (por exemplo, no café da manhã e/ou almoço). Engula o comprimido com água.

Em alguns pacientes a Ritalina® pode causar insônia. Para evitar dificuldade em adormecer, a última dose de Ritalina® deve ser tomada antes das 18 horas, a menos que o seu médico tenha recomendado diferente.

O seu médico irá dizer-lhe exatamente quantos comprimidos tomar. A dose diária habitual é de 20 a 30 mg, mas alguns pacientes podem necessitar de mais ou menos do que isso. A dose diária máxima recomendada é de 60 mg para o tratamento da narcolepsia e de 80 mg para o tratamento do TDAH.

Efeitos colaterais da Ritalina

A bula do remédio alerta que as reações adversas, quando ocorrem, tendem a ser passageiras e moderadas. Isso, obviamente, quando a dosagem prescrita é respeitada.

No entanto, efeitos colaterais podem se manifestar. Nesses casos, o médico deve ser imediatamente informado.

Confira alguns dos mal-estares que a Ritalina pode ocasionar:

  • febre;
  • inflamação na garganta;
  • alteração dos batimentos cardíacos;
  • cefaleia;
  • ataques de pânico ou de ansiedade;
  • enjoos;
  • insônia;
  • perda de apetite;
  • queda de cabelos;
  • espasmos musculares;
  • alucinações;
  • convulsões;
  • dor no peito;
  • dor abdominal;
  • agitação;
  • nervosismo;
  • reações alérgicas;
  • elevação na pressão arterial;
  • tonturas;
  • boca seca;
  • desmaios;
  • sudorese;
  • dor nas articulações;
  • visão turva.

Contra indicações

Não tome Ritalina se você:

  • é alérgico (hipersensíveis) ao metilfenidato ou a qualquer outro componente de Ritalina® listado no início desta bula. Se você achar que pode ser alérgico, peça orientação ao seu médico;
  • sofre de ansiedade, tensão ou agitação;
  • tem algum problema da tireoide;
  • tem problemas cardíacos, como ataque cardíaco, batimento cardíaco irregular, dor no peito (angina), insuficiência cardíaca, doença cardíaca ou se nasceu com problema do coração;
  • tem pressão sanguínea muito alta (hipertensão) ou estreitamento dos vasos sanguíneos (doença arterial oclusiva que pode causar dor nos braços e pernas);
  • estiver tomando um medicamento chamado “inibidor da monoamino oxidase” (IMAO), utilizado no tratamento da depressão ou tiver tomado IMAO nas últimas duas semanas (vide “Ingestão concomitante com outras substâncias”);
  • tem pressão ocular aumentada (glaucoma);
  • tem um tumor da glândula adrenal chamado feocromocitoma;
  • família for portador desta síndrome.

 

Posologia da Ritalina

Ritalina® 10 mg – embalagens contendo 30 ou 60 comprimidos.

Cada comprimido de Ritalina® contém 10 mg de cloridrato de metilfenidato.

Característica farmacológica

A Ritalina®
é um composto racêmico que consiste de uma mistura 1:1 de d-metilfenidato e l-metilfenidato.
A Ritalina®
é um fraco estimulante do sistema nervoso central, com efeitos mais evidentes sobre as atividades mentais
do que nas ações motoras. Seu mecanismo de ação no homem ainda não foi completamente elucidado, mas acredita-se que seu efeito estimulante seja devido a uma inibição da recaptação de dopamina no estriado, sem disparar a liberação
de dopamina.
O mecanismo pelo qual a Ritalina®
exerce seus efeitos psíquicos e comportamentais em crianças não está claramente
estabelecido, nem há evidência conclusiva que demonstre como esses efeitos se relacionam com a condição do sistema
nervoso central.
O l-enantiômero parece ser farmacologicamente inativo.
O efeito do tratamento com 40 mg de cloridrato de dexmetilfenidato, o d-enantiômero farmacologicamente ativo de
Ritalina®
, no intervalo QT/QTc foi avaliado em um estudo com 75 voluntários sadios. O prolongamento máximo
significativo dos intervalos QTcF foi < 5 ms, e o limite superior no intervalo de confiança de 90% foi inferior a 10 ms
para todas as comparações de tempo versus o placebo. Este é inferior ao limiar de preocupação clínica e nenhuma
relação de resposta à exposição foi evidente.

Preço médio

Entre R$80,00 a R$ 95,00

 

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